Tapera Pai Joaquim de Angola

Notas de Orixás

Os Orixás são forças divinas da natureza e expressões da vontade de Deus na Umbanda. Representam arquétipos universais, elementos naturais e valores humanos como justiça, amor, coragem e sabedoria. Cada Orixá guia, protege e inspira, conectando o mundo espiritual com o plano terreno. Ao conhecê-los, aprofundamos nossa compreensão da fé, da ancestralidade e da harmonia com o sagrado.

Oxalá

História: 

Oxalá é considerado o Orixá maior na Umbanda, Pai de todos os Orixás e criador da humanidade. É associado à figura de Jesus Cristo nas religiões afro-brasileiras por sua natureza pacífica, compassiva e sábia. Conta-se que foi incumbido por Olorum (Deus) de modelar os seres humanos do barro, dando início à vida. Sua missão é guiar com amor e harmonia, sendo presença constante na evolução espiritual dos filhos de fé.



Atributos:


Elemento:
Ar (também associado ao éter)

Cores: Branco (pureza, luz e paz)

Símbolos: Cajado (opaxorô), pomba branca

Dia da semana: Sexta-feira

Domínios: Fé, espiritualidade, harmonia, criação, sabedoria

Ogum

História:

Ogum é o Orixá da guerra, da coragem e da ação. É conhecido como o senhor dos caminhos e das batalhas justas, abrindo trilhas e vencendo obstáculos com sua espada de ferro. Foi o primeiro a usar o ferro e o fogo para criar ferramentas e armas, trazendo progresso e proteção. Na Umbanda, Ogum representa a força de vontade, a disciplina e a determinação em vencer os desafios da vida.




Atributos:


Elemento: Fogo e ferro

Cores: Azul-escuro e vermelho

Símbolos: Espada, ferramentas de ferro

Dia da semana: Terça-feira

Domínios: Abertura de caminhos, trabalho, proteção, justiça, ação

Oxum

História:

Oxum é a Orixá das águas doces, dos rios e cachoeiras. Representa a essência do amor, da fertilidade e da beleza. É mãe protetora, sensível e acolhedora, que cuida dos sentimentos e guia com ternura. Na Umbanda, Oxum rege o coração e inspira empatia, equilíbrio emocional e autoestima. É também associada à riqueza material e espiritual, sendo invocada para harmonia nos relacionamentos e abundância.



Atributos:


Elemento: Água doce

Cores: Amarelo e dourado

Símbolos: Espelho, leque, joias

Dia da semana: Sábado

Domínios: Amor, beleza, maternidade, prosperidade, sensibilidade

Xangô

História:

Xangô é o Orixá da justiça, dos raios e trovões. Foi um grande rei em vida, conhecido por sua inteligência, força e senso de justiça. Na Umbanda, Xangô representa a lei divina e o equilíbrio entre razão e emoção. Ele atua como julgador das ações humanas e defensor dos oprimidos, sempre em busca da verdade e do merecimento.



Atributos:

Elemento: Fogo e terra (pedra)

Cores: Vermelho, marrom e branco

Símbolos: Machado duplo (oxé), pedras, trovão

Dia da semana: Quarta-feira

Domínios: Justiça, sabedoria, autoridade, lei, verdade

Iansã

História:


Iansã, também conhecida como Oyá, é a Orixá dos ventos, raios e tempestades. Guerreira corajosa e senhora dos espíritos dos mortos (Eguns), Iansã representa o movimento, a transformação e a força feminina em sua forma mais intensa. Foi companheira de Xangô e compartilha com ele o domínio sobre os trovões e os ventos. Na Umbanda, ela simboliza a paixão, a liberdade, a ação e o poder de romper com o passado para abrir novos caminhos.

Atributos:


Elemento:
Ar e fogo (tempestades e raios)

Cores: Vermelho, laranja e marrom

Símbolos: Espada, raio, chifres de búfalo, ventania

Dia da semana: Quarta-feira

Domínios: Ventos, tempestades, transformações, espíritos, coragem, liberdade

Iemanjá

História:


Iemanjá é a Orixá das águas salgadas, rainha do mar e mãe de muitos Orixás. Representa o princípio da maternidade, do acolhimento e da proteção. É ela quem rege a família, a fertilidade, as emoções e o inconsciente profundo. Na Umbanda, é uma das entidades mais queridas e cultuadas, evocada para trazer paz, equilíbrio emocional e consolo. Seu nome vem do iorubá “Yèyé omo ejá”, que significa “Mãe cujos filhos são como peixes”. É sincretizada com Nossa Senhora dos Navegantes ou Nossa Senhora da Conceição.

Atributos:

Elemento: Água (mares e oceanos)

Cores: Azul-claro, branco e prata

Símbolos: Conchas, espelho, coroa, ondas do mar

Dia da semana: Sábado

Domínios: Maternidade, proteção, mar, fertilidade, família, emoções, intuição

Oxossi

História:

Oxóssi é o Orixá da caça, da fartura, da sabedoria e das matas. Caçador ágil e observador, é mestre da precisão e do silêncio, aquele que com uma só flecha atinge seu objetivo. Protetor dos alimentos e guardião do conhecimento, Oxóssi representa o equilíbrio entre ação e contemplação. Na Umbanda, ele comanda a linha dos caboclos e está profundamente ligado à natureza, à cura espiritual e à expansão da consciência. Sincretizado com São Sebastião, é símbolo de força serena, foco e prosperidade.

Atributos:

Elemento: Terra e ar (matas e sabedoria ancestral)

Cores: Verde e azul-claro

Símbolos: Arco e flecha, penas, ofá (arma sagrada)

Dia da semana:
Quinta-feira

Domínios:
Caça, fartura, natureza, conhecimento, cura, caminhos abertos

Obaluaê

História:


Obaluayê, também conhecido como Omolu, é o Orixá das doenças, das curas e da transformação profunda. Guardião dos cemitérios e dos mistérios da vida e da morte, ele é temido e respeitado por seu imenso poder de cura e regeneração. Veste-se com palha da costa, cobrindo o rosto, o que simboliza o mistério e a reverência ao sofrimento humano. Na Umbanda, é invocado para proteção contra doenças físicas e espirituais, além de auxiliar na libertação de dores antigas. Seu culto está ligado ao silêncio, à introspecção e à força ancestral.

Atributos:

Elemento: Terra (chão sagrado, cemitério)
Cores: Roxo, preto, branco e palha
Símbolos: Xaxará (vassourinha sagrada), palha da costa, grãos
Dia da semana: Segunda-feira
Domínios: Doenças, curas, transformação, morte e renascimento, proteção espiritual

Nanã

História:

Nanã Buruku é a Orixá mais antiga do panteão africano. Senhora das águas profundas, da lama primordial e da ancestralidade, ela é a guardiã dos ciclos da vida e da morte. Representa o útero da criação, onde tudo nasce e retorna. Nanã é sabedoria ancestral, acolhimento maduro e justiça serena. Na Umbanda, é invocada para questões ligadas à ancestralidade, cura profunda e equilíbrio emocional. Sua energia é densa, firme e acolhedora, associada à paciência, à reflexão e à espiritualidade elevada.

Atributos:

Elemento: Água e terra (lama, pântanos, nascente da vida)

Cores: Lilás, roxo, branco e marrom

Símbolos: Ibiri (cetro feito de nervura de folha de palmeira), água lamacenta, conchas

Dia da semana: Segunda-feira

Domínios: Ancestralidade, ciclos da vida e da morte, sabedoria, espiritualidade, maturidade emocional